“O primeiro passo para fazer algo é acreditar que pode fazê-lo.” — Dale Carnegie
Hoje é o dia de acreditarmos juntas que o teu futuro financeiro pode e irá ser construído com clareza, confiança e ação.
Introdução
Vivemos num mundo em transformação — oportunidades de empreender, poupar, investir surgem com força, mas os desafios também crescem. Para ti, mulher — seja como profissional, empreendedora, mãe, criadora ou mentora — a educação financeira não é apenas um “bom extra”: é uma ferramenta de emancipação.
Se te identificas com alguma destas situações:
- Não te sentes completamente segura sobre o que fazer com o teu dinheiro;
- O orçamento parece escapar-te das mãos;
- Tens dificuldade em visualizar metas financeiras ou sentir que estás progredindo;
… então este post é para ti. Vamos abordar por que as mulheres no Brasil têm (ainda) uma necessidade urgente de dominar as finanças pessoais e como começas, passo a passo, com sugestões práticas e adaptadas à realidade nacional.
Por que este tema importa — e por que agora
Diferença salarial e dependência financeira
No Brasil, apesar de avanços, a disparidade salarial de gênero permanece significativa: um relatório recente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra que as mulheres ganhavam em média R$ 3.755,01 enquanto os homens ganhavam R$ 4.745,53 — ou seja, uma diferença de cerca de 20,9 %. (Serviços e Informações do Brasil)
Essa realidade coloca muitas mulheres numa situação em que qualquer imprevisto ou falta de planejamento acentua vulnerabilidades.
Protagonismo feminino nas finanças familiares
Apesar dessas desigualdades, as mulheres brasileiras assumem um papel central nas finanças domésticas: cerca de 93 % delas participam da gestão financeira da sua família, e 33 % são as únicas responsáveis pelas finanças do lar. (CNN Brasil)
Esse protagonismo mostra que não estás sozinha — tens responsabilidade, tens poder, e estás em posição de tomar a dianteira.
A lacuna nos investimentos e literacia financeira
Quando falamos de investimentos, há ainda um espaço enorme para avançar: em 2024, apenas cerca de 8 % das mulheres no Brasil investiram em produtos financeiros, frente a 14 % dos homens. (anbima.com.br)
E o conhecimento financeiro também mostra lacunas: estudos apontam que mulheres brasileiras enfrentam mais dificuldades de acesso e compreensão em finanças. (sevenpublicacoes.com.br)
Ou seja: tens tanto o papel quanto a oportunidade para transformar este cenário.
O que está em jogo
- A liberdade de escolher: não depender financeiramente de outros, poder dizer sim ou não ao trabalho ou estilo de vida que desejas.
- O poder de planejar: visualizar metas (viagem, negócio, reforma, segurança) e construir o caminho.
- A segurança de agir: criar reservas, investir, construir patrimônio, mesmo que aos poucos.
Se inspirarmos na abordagem de Dale Carnegie — conectar, emocionar, envolver — podemos ver a educação financeira como um “encontro” entre ti e o teu dinheiro, no qual tu tomas as rédeas.
1. Mudar a mentalidade — começa por acreditar que podes
Histórias que inspiram
Visualiza-te daqui a 5 anos: mais tranquila, decidida, com clareza sobre o dinheiro, sem medos, sabendo onde está e para onde vai. Essa visão é o motor.
Carnegie ensinava que, para convencer alguém (ou a ti própria), é preciso primeiro vislumbrar a pessoa que queres ser. Então pergunta-te: quem quero ser financeiramente em 5 anos?
Escreve uma frase: “Sou uma mulher que gere o meu dinheiro com sabedoria”; “Tenho liberdade para decidir”; “Tenho reserva financeira que me protege”.
Convencendo-te a ti mesma
- Substitui “Não sei mexer com dinheiro” por “Estou a aprender a gerir o dinheiro”. Essa simples mudança de linguagem tem impacto.
- Elogia-te ou reconhece o que já fizeste: “Já consegui poupar algum valor este mês” é tão válido como “Ainda não consegui”.
- Cria-te uma rede de apoio: partilha a meta com amigas ou mentoras, ou mesmo na tua comunidade online. Carnegie destaca o poder da pertença e do apoio.
2. Conhecer a tua situação financeira — o diagnóstico
Saber onde estás
Antes de avançar, é fundamental olhar de frente para as tuas finanças. Perguntas que podes fazer:
- Qual é o meu rendimento líquido mensal (ou média dos últimos meses)?
- Quais são as minhas despesas fixas (como habitação, transporte, contas)?
- Quanto consigo poupar ou investir mensalmente?
- Tenho dívidas? Qual montante, qual taxa de juro, qual prazo?
Um dado que dá perspetiva
Por exemplo: 93 % das mulheres participam nas finanças familiares. (Serasa)
E 80 % das mulheres admitiram que acumulavam dívidas, segundo uma pesquisa brasileira. (Correio do Povo)
Com esses números em mente, podes ver que muitos passos são normais, e há espaço para melhoria.
Ponte para ação
Cria uma folha (pode ser no Excel ou Google Sheets) ou usa uma app de orçamento. Lista rendimentos, despesas fixas, variáveis e supérfluas. Essa clareza dá-te poder.
3. Definir metas financeiras claras — com visão e propósito
A técnica de Carnegie aplicada: começar com o fim em mente
Define uma meta grande + metas intermédias + microtarefas:
- Meta grande (5 anos): ter uma reserva de emergência que cubra X meses das minhas despesas + começar a investir automaticamente.
- Meta intermédia (12 meses): poupar X R$/mês; reduzir despesas supérfluas em Y %; aprender os fundamentos de investimento.
- Microtarefas (30 dias): ler um artigo ou ver um vídeo sobre investimento; criar conta poupança separada; configurar orçamento mensal.
Importância de escrever a meta
Quando escreves a meta — e falas dela com outra pessoa — aumentas a responsabilidade. Carnegie dizia: “Diga à pessoa o que vai fazer… e depois faça.”
Define não só “guardar dinheiro” mas “para ter liberdade”, “para não depender de ninguém”, “para dar o exemplo”.
Ligação emocional
Porque queres essa meta? Pode ser: para garantir estabilidade para os teus filhos, para dar o salto no negócio, para ter segurança na reforma. Essa narrativa dá-te combustível.
4. Construir o teu orçamento — o plano prático
Passo-a-passo tradicional
- Identifica rendimentos mensais.
- Lista despesas fixas.
- Verifica despesas variáveis (últimos 2-3 meses) e calcula média.
- Define um valor para poupança/investimento (idealmente, assim que receberes — “paga-te primeiro”).
- Ajusta despesas supérfluas (comida fora, subscrições, compras por impulso).
Técnica Carnegie: envolva outra pessoa (ou comunidade)
Pede a uma amiga ou colega que também faça o orçamento contigo — troquem ideias, compartam progresso. Aquele senso de “não estou sozinha” ajuda a manter o rumo.
Dica de retenção: revisão mensal
Coloca no teu calendário um “dia do dinheiro” mensal: 30 minutos para ver, ajustar, comemorar pequenas vitórias.
5. Poupança, investimentos e reserva de emergência
Reserva de emergência
Recomenda-se ter de 3 a 6 meses de despesas regulares numa conta de fácil acesso.
Para mulheres que têm múltiplos papéis ou rendimentos mais voláteis, talvez 6 meses seja mais confortável.
Investimentos para iniciantes no Brasil
- Começa pelo básico: taxa de juro real, inflação brasileira, diversificação.
- No Brasil, a participação feminina em investimentos ainda é baixa: menos de 10 % das mulheres brasileiras investiram em produtos financeiros em 2024. (anbima.com.br)
- Educação financeira baseada em pesquisa aponta que as mulheres têm menor acesso ou envolvimento em decisões de investimentos. (sevenpublicacoes.com.br)
Começar pequeno
Não esperes ter “milhares” para começar. Automatiza uma poupança de R$ 100 ou R$ 200/mês. Cria o hábito — o hábito gera resultados.
Técnica Carnegie: celebre as pequenas vitórias
Quando conseguires poupar 3-6 meses seguidos ou investir pela primeira vez, celebra-o. Um jantar simples ou um momento de reconhecimento para ti. Isso reforça o comportamento.
6. Renda extra e empreendedorismo: uma alavanca para ti
O potencial do empreendedorismo feminino no Brasil
As mulheres comandam muitos empreendimentos: segundo o SEBRAE, são cerca de 10,1 milhões de negócios liderados por mulheres no Brasil. (ABEFIN)
Empreender é uma via não só para mais rendimento, mas para mais liberdade e flexibilidade.
Passos práticos
- Identifica talentos/hobbies que podem gerar rendimento extra (venda online, serviço, consultoria).
- Alinha esse rendimento ao teu orçamento: quanto desse extra vais usar para “crescimento” (negócio) e quanto para “segurança” (poupança/investimento).
- Ajusta com consistência: se receberes “bônus”, “extra” ou “lucro”, destina-o para onde alinhaste.
Técnica Carnegie: envolva outras pessoas
Quando partilhares o teu plano de renda extra na tua comunidade ou blog, peça feedback, convide-as a participar, a dar ideias. Essa partilha cria comunidade e comprometimento.
7. Ferramentas e hábitos para o longo prazo
Ferramentas úteis no contexto brasileiro
- Aplicativos de orçamento ou planilhas (por ex.: gratuitos ou versões locais).
- Conta poupança separada da conta corrente (no Brasil há várias opções).
- Plataforma de investimento com plataforma para principiantes.
- Conteúdo educativo (ex: o blog da Serasa “Finanças para Mulheres” traz etapas claras). (Serasa)
Hábitos que fazem a diferença
- Automatiza transferências para poupança/imediatamente após receber.
- Revê objetivos e orçamento mensalmente ou trimestralmente.
- Evita comparações negativas — foca no teu progresso, não no dos outros.
- Alimenta-te de educação contínua: livros, podcasts, workshops.
Técnica Carnegie: sê tua própria aliada
Fala contigo com gentileza: “Sei que isto pode parecer difícil, mas estou a dar passos pequenos e firmes.” A empatia contigo própria ajuda-te a persistir.
8. Superar obstáculos comuns
Obstáculo 1 – Falta de tempo
Sabemos que és empreendedora, tens múltiplas funções. Mas define 15-20 minutos por semana para “financeiro”. O pequeno passo conta muito.
Obstáculo 2 – Medo de errar ou não saber
Errar faz parte. Carnegie dizia para focar no que se pode fazer, não no que pode dar errado. Aprende o básico e avança. Um investimento pequeno vale mais que anos de adiamento.
Obstáculo 3 – Sobrecarga de papéis (trabalho, família, negócio)
Reconhece: a tua educação financeira beneficia todos esses papéis: como profissional, como mãe, como empreendedora. Não é “mais uma coisa” — é a base para todos os outros.
Obstáculo 4 – Comparações sociais
Evita comparar-te com “outra que já tem uma carteira de investimentos”. O teu foco é o teu caminho. Carnegie dizia que ninguém se sente bem sendo comparado — define a tua meta, a tua jornada.
9. Plano de 90 dias para pôr em prática
Semana 1-4: Diagnóstico e mentalidade
- Dia 1: escreve a tua visão financeira para 5 anos.
- Dia 7: regista rendimentos e despesas dos últimos 3 meses.
- Dia 14: define meta grande + metas intermédias.
- Dia 30: cria conta poupança e configura app ou planilha de orçamento.
Semana 5-8: Orçamento e poupança
- Semana 5: regista todas as despesas da semana.
- Semana 6: define e automatiza uma transferência mensal para poupança.
- Semana 7: identifica 2-3 despesas supérfluas para reduzir.
- Semana 8: revisa o orçamento, celebra a primeira poupança acumulada.
Semana 9-12: Investimento e renda extra
- Semana 9: lê um guia ou artigo sobre investimentos (no Brasil).
- Semana 10: escolhe uma plataforma de investimento inicial.
- Semana 11: define ideia de renda extra (aplica-a ao teu negócio ou rede).
- Semana 12: decide quanto desse rendimento extra vai para crescimento ou segurança.
Check-in no dia 90
Avalia: onde estás? Cumpriste X% da meta? Ajusta: o que podes melhorar? Define nova meta para próximos 90 dias.
10. Conclusão — o teu chamado à ação
Querida leitora, a tradição financeira por vezes deixou as mulheres de lado — mas o poder está em ti para escrever uma nova história. Com os princípios que vimos — mentalidade, diagnóstico, metas, plano e ação — podes construir não só uma vida mais confortável, mas uma vida mais livre.
Como Carnegie diria: uma pessoa pode fazer a diferença — e essa pessoa és tu. Hoje, toma o primeiro passo: abre a folha de orçamento, escreve a tua visão, marca no calendário o teu “dia do dinheiro”. Não é preciso ser perfeito desde o início — mas ser consistente já faz a diferença.


